INTRODUÇÃO: A DIGITALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO PERINATAL
A educação perinatal é um pilarete fundamental da assistência obstétrica, sendo reconhecida como ferramenta indispensável para a promoção da autonomia feminina, preparação para o parto e redução da morbimortalidade materna e neonatal. Contudo, os modelos tradicionais de grupos de gestantes e palestras presenciais frequentemente enfrentam desafios de adesão, especialmente entre populações em situação de vulnerabilidade social, gestantes jovens e usuárias com barreiras de acesso geográfico ou de rotina.
Nesse cenário, a convergência entre as tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC) e a ciência do comportamento impulsionou o surgimento da gamificação na saúde materna. A gamificação consiste na aplicação de elementos, mecânicas e dinâmicas próprias dos jogos (como sistemas de pontuação, avatares, desafios progressivos, recompensas virtuais e feedbacks imediatos) em contextos não lúdicos, visando engajar indivíduos e modificar comportamentos de saúde.
Quando integrada à inteligência artificial, aplicativos móveis e programas digitais interativos, a gamificação passa a atuar diretamente na ampliação da adesão ao pré-natal e na adaptação emocional da gestante, mitigando a ansiedade típica do terceiro trimestre (Saleh et al., 2025; Zendehjan et al., 2026).
Este capítulo propõe uma análise teórico-prática do uso da gamificação e de tecnologias digitais na educação perinatal. Dialogamos aqui entre a literatura científica recente mapeada e a nossa experiência assistencial e em pesquisa em tecnologia educacional na Maternidade Escola Assis Chateaubriand (MEAC/EBSERH) e na Universidade Federal do Ceará (UFC).