Os transtornos alimentares (TA) são condições mentais graves caracterizadas por hábitos alimentares incomuns, que podem variar desde restrições severas da ingestão de alimentos até episódios de consumo excessivo, associada à preocupação persistente com a estética corporal. Sua etiologia é complexa e multifatorial que envolve a interação de fatores genéticos, psicológicos e sociais. Os fatores psicossociais para os TA dividem-se em: predisponentes, precipitantes e mantenedores. Os fatores predisponentes incluem traços de personalidade, baixa autoestima, comorbidades psiquiátricas, ambientes familiares críticos e a valorização da magreza. Os fatores precipitantes estão principalmente associados à restrição alimentar, frequentemente interligada a eventos estressores e a alterações na dinâmica familiar. Já os fatores mantenedores relacionam-se a alterações fisiológicas e psicológicas decorrentes da desnutrição, da compulsão alimentar e de comportamentos purgativos. Ademais, a base genética dos TA envolve múltiplos loci, sendo que a desregulação dos sistemas serotoninérgico e dopaminérgico, assim como de genes relacionados à comunicação intestino-cérebro e a hormônios como leptina, grelina, GLP-1 e PYY, está diretamente associada ao surgimento dos sintomas característicos dos TA. Além disso, alterações neurobiológicas envolvendo interocepção, controle executivo e formação de hábitos alimentares também são observadas, evidenciando a complexidade e a multifatoriedade dos transtornos alimentares, resultantes da interação entre propensão genética, fatores ambientais e neurobiológicos.