A bulimia nervosa (BN) é um transtorno alimentar de origem psiquiátrica, caracterizado por episódios repetidos de compulsão alimentar, acompanhados pela sensação de falta de controle e pela adoção de comportamentos compensatórios inadequados, como a indução de vômitos, o uso de laxantes e diuréticos, períodos prolongados de jejum e excesso de atividade física. Ela é considerada um dos TA mais comuns, sendo mais prevalente no sexo feminino e surgindo com maior frequência na adolescência. Trata-se de uma condição complexa e multifatorial, com interação de fatores biológicos, psicológicos e socioculturais, associados à supervalorização do peso e da aparência corporal. Esses comportamentos acarretam comprometimento do estado nutricional e metabólico, favorecendo os distúrbios hidroeletrolíticos, alterações gastrointestinais, danos à saúde bucal e aumento do risco de complicações cardíacas, além de maior morbimortalidade na ausência de tratamento adequado. A BN também está associada a outras condições psiquiátricas, como ansiedade, depressão, impulsividade e sentimentos de vergonha, o que aumenta a probabilidade de autolesão e comportamento suicida. O tratamento deve ser conduzido por uma equipe multiprofissional, com destaque para o papel do nutricionista na reorganização dos hábitos alimentares, na reabilitação nutricional e na modificação de atitudes alimentares disfuncionais. Quando esse cuidado é realizado em conjunto com o suporte médico e psicoterapêutico, a intervenção nutricional contribui para a quebra do ciclo de compulsão e compensação, favorecendo uma relação mais saudável com a comida, a recuperação global do indivíduo e a melhora da qualidade de vida a longo prazo.