O transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP), é caracterizado por episódios recorrentes de ingestão excessiva de alimentos em curto período, acompanhados por perda de controle e sofrimento emocional, sem comportamentos compensatórios. Apesar do reconhecimento diagnóstico recente, apresenta prevalência significativa, especialmente entre indivíduos com obesidade, configurando-se como um importante problema de saúde pública. Trata-se de um transtorno multifatorial, associado a fatores emocionais, psicológicos e socioculturais, como ansiedade, depressão, estresse e insatisfação com a imagem corporal. Os episódios compulsivos envolvem alimentação acelerada, consumo mesmo sem fome fisiológica e ingestão até desconforto físico, frequentemente seguidos por culpa e vergonha, podendo ocorrer de forma isolada. O TCAP relaciona-se a repercussões metabólicas, como alterações hormonais e neuroendócrinas que favorecem ganho de peso, resistência à insulina, dislipidemias e aumento do risco de síndrome metabólica, diabetes mellitus tipo II e doenças cardiovasculares. O diagnóstico baseia-se na avaliação clínica, tendo a sensação subjetiva de perda de controle como critério central, embora ainda seja subdiagnosticado. O manejo nutricional deve priorizar a regularização do comportamento alimentar e a redução dos episódios compulsivos, sem foco inicial na perda de peso, utilizando estratégias como educação alimentar e nutricional, nutrição comportamental, terapia cognitivo-comportamental e acompanhamento multiprofissional, visando melhora clínica e da qualidade de vida, são fundamentais para a melhora clínica e da qualidade de vida dos indivíduos com TCAP.