O transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE) é um transtorno alimentar caracterizado por forte seletividade, aversões sensoriais, medo de novos alimentos e falta de interesse pelo comer, sem vínculo com preocupações sobre peso ou forma corporal. Geralmente inicia na infância e adolescência e apresenta maior prevalência no sexo masculino, estando frequentemente associado à ansiedade, depressão, TEA, TDAH e problemas gastrointestinais. Esses fatores contribuem para déficits nutricionais, prejuízos no crescimento, dependência de suplementos e comprometimento do convívio social e familiar. O manejo nutricional é desafiador devido à ingestão limitada e à rejeição de diferentes grupos alimentares, exigindo intervenções individualizadas. Abordagens como o Encadeamento Alimentar, a Terapia Cognitivo-Comportamental e a Terapia Baseada na Família demonstram bons resultados ao promover a exposição gradual a novos alimentos, reduzir a ansiedade e favorecer mudanças comportamentais. A Educação Alimentar complementa o processo, embora não deva ser utilizada isoladamente. Portanto, o tratamento do TARE requer atuação multidisciplinar contínua entre nutricionistas, profissionais de saúde mental, médicos e família, possibilitando ampliação segura da dieta, correção de deficiências e melhora global do funcionamento psicossocial. Com isso, este capítulo tem como finalidade discutir os principais desafios do manejo nutricional no TARE e apresentar as estratégias terapêuticas integradas que contribuem para uma evolução clínica mais eficaz.