As deficiências nutricionais a longo prazo representam um importante desafio para a saúde pública, uma vez que se desenvolvem de forma lenta, progressiva e frequentemente assintomática em seus estágios iniciais. Essas carências resultam, principalmente, da ingestão inadequada e prolongada de micronutrientes essenciais, comprometendo funções fisiológicas fundamentais e afetando negativamente a saúde ao longo do ciclo de vida. Este capítulo aborda as principais deficiências nutricionais crônicas de micronutrientes nos transtornos alimentares, com destaque para o ferro, cálcio, vitamina D, vitaminas do complexo B, zinco, magnésio e potássio. A deficiência de ferro está associada à anemia, fadiga e prejuízos no desempenho físico e imunológico, enquanto a ingestão insuficiente de cálcio e vitamina D compromete a saúde óssea, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose. As vitaminas do complexo B exercem papel essencial no metabolismo energético e na função neurológica, sendo sua carência relacionada a neuropatias e alterações cognitivas. Já o zinco, o magnésio e o potássio atuam na regulação metabólica, hormonal e eletrolítica, e sua deficiência está associada a distúrbios cardiometabólicos, neuromusculares e cardiovasculares. Além disso, fatores como insegurança alimentar, transtornos alimentares e mudanças nos padrões dietéticos, especialmente o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, contribuem para a persistência da deficiência de micronutrientes. Assim, destaca-se a importância da identificação precoce e da adoção de estratégias de prevenção e intervenção nutricional para promoção da saúde integral,especialmente em condições especiais como nos transtornos alimentares.