Os transtornos alimentares (TA) são condições psiquiátricas complexas, multifatoriais e associadas a elevada morbimortalidade, caracterizadas por alterações persistentes no comportamento alimentar, na percepção da imagem corporal e na regulação emocional. Evidências científicas demonstram que a maioria dos indivíduos com TA apresenta ao menos uma comorbidade psiquiátrica ao longo da vida, especialmente transtornos depressivos, transtornos de ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtornos de personalidade e transtornos relacionados ao uso de substâncias. A interação entre essas condições ocorre de forma bidirecional, contribuindo para maior gravidade clínica, resistência terapêutica, maior risco de recaídas e aumento significativo do risco de suicídio e de complicações orgânicas decorrentes do comportamento alimentar disfuncional. Nesse contexto, a psiquiatria exerce papel central no cuidado desses pacientes, sendo responsável pela avaliação diagnóstica integrada, identificação de comorbidades, estratificação do risco clínico e suicidário, prescrição e monitoramento de psicofármacos e acompanhamento longitudinal. Além disso, o manejo terapêutico deve ocorrer de forma multiprofissional, articulando intervenções psicoterápicas, suporte nutricional e acompanhamento médico contínuo, com o objetivo de reduzir a morbimortalidade, melhorar o prognóstico clínico e promover recuperação psicossocial sustentada. A identificação precoce dessas comorbidades e a implementação de estratégias terapêuticas individualizadas são fundamentais para aumentar a adesão ao tratamento, prevenir recaídas e favorecer melhores desfechos clínicos e funcionais em longo prazo.