Este capítulo analisa o Boi Tira-Teima, manifestação cultural centenária de Caruaru (PE), como uma pedagogia cultural alinhada aos princípios da educação popular latino-americana. Fundamentado nas contribuições de autores como Brandão, Freire, Carrillo, Hall, Canclini, Quijano, Sousa e Lima, o estudo compreende a cultura popular como espaço legítimo de produção de saberes, formação humana e resistência política. A partir de uma abordagem qualitativa, ancorada em pesquisa bibliográfica e análise cultural, o texto evidencia como o Boi Tira-Teima se constitui como território educativo no qual memória, oralidade, identidade e ação coletiva se articulam na construção do pertencimento comunitário. A manifestação é compreendida como uma enciclopédia viva, na qual o conhecimento circula por meio dos corpos, dos rituais, da música e da experiência compartilhada entre gerações. Ao dialogar com perspectivas decoloniais, o capítulo problematiza as hierarquias epistemológicas que historicamente subalternizaram os saberes populares, afirmando a cultura como campo de luta e justiça cultural. Conclui-se que o Boi Tira-Teima educa enquanto celebra, resiste enquanto dança e produz consciência crítica ao reafirmar identidades, demonstrando que a educação popular se realiza também fora dos espaços escolares, nos territórios da vida e da cultura.