Este artigo investiga as dinâmicas contemporâneas de celebração e silenciamento de corpos racializados a partir de uma perspectiva interseccional, analisando como a indústria cultural e as mídias digitais operam na produção seletiva de visibilidade. O estudo examina, de um lado, a construção de celebridades negras como Beyoncé, Serena Williams e Rihanna, cujas trajetórias são marcadas pela negociação entre agência feminina e estereótipos raciais; de outro, analisa casos de silenciamento sistemático, como o da jovem indiana Monalisa e de mulheres negras trabalhadoras representadas em conteúdos virais racistas. A partir do referencial teórico da interseccionalidade (Crenshaw), do conceito de misogynoir (Bailey) e da crítica feminista da cultura visual (Mulvey, hooks), o artigo argumenta que a idolatria de gênero em contextos étnico-raciais opera por meio de mecanismos ambivalentes: enquanto algumas vidas são hipervisibilizadas sob o signo da exceção e do consumo, outras são submetidas ao apagamento ou à exposição violenta. A pesquisa evidencia que tanto a celebração quanto o silenciamento constituem faces do mesmo dispositivo de controle dos corpos racializados, que ora os fetichiza como mercadorias exóticas, ora os descarta como inabitáveis. Conclui-se que a compreensão desses mecanismos é fundamental para o desenvolvimento de práticas midiáticas verdadeiramente includentes e éticas.