O presente relato de experiência descreve a aplicação do sistema de notação musical Figurenotes como recurso de Comunicação Alternativa no ensino de música para estudantes com deficiências e transtornos do neurodesenvolvimento (Síndrome de Down, Transtorno do Espectro Autista, Deficiência Intelectual e Distúrbios do Processamento Auditivo Central). Fundamentado no Modelo Social da Deficiência e na pedagogia libertadora de Paulo Freire, o estudo analisa seis anos de acompanhamento contínuo em uma turma especializada. A metodologia, de natureza qualitativa e aplicada, utilizou a observação participante e diários de classe para registrar o desenvolvimento dos alunos. As intervenções basearam-se na bidocência e na remoção de barreiras pedagógicas. Os resultados demonstram que a substituição da partitura convencional por sistemas intuitivos que utilizam cores e formas geométricas promove a autonomia, permitindo que os estudantes deixem a posição de espectadores para assumir uma participação ativa no fazer musical, possibilitando que o aluno com dificuldades de abstração execute repertórios já nas etapas iniciais do processo de aprendizagem. Conclui-se que a acessibilidade pedagógica e a mediação docente qualificada são pilares fundamentais para a efetivação do direito à fruição artística e para a consolidação da música como ferramenta de justiça social.