O presente artigo analisa o trabalho com biografias na literatura infantil nos anos iniciais do Ensino Fundamental, tomando como eixo a vida e a obra de Carolina Maria de Jesus. Partindo da compreensão da literatura como prática estética, formativa e política, propomos discutir o potencial das narrativas biográficas para tensionar o currículo escolar e enfrentar o racismo epistêmico que historicamente marginaliza autoras negras e saberes produzidos nas periferias. Ancorado nos estudos das relações étnico-raciais e nas perspectivas decoloniais, o texto problematiza a centralidade de cânones eurocentrados na formação leitora e propõe a inserção de trajetórias como a de Carolina como ação de deslocamento e reexistência. Ao abordar sua experiência como mulher negra, favelada e escritora, a potência da biografia como dispositivo didático que articula literatura, memória e crítica social se destaca, favorecendo a construção de identidades positivas e o reconhecimento da pluralidade de vozes na produção cultural brasileira. Dessa forma, o trabalho com biografias de autoras negras nos anos iniciais constitui estratégia fundamental para a promoção de uma educação antirracista, ampliando repertórios, democratizando referências e contribuindo para práticas curriculares comprometidas com a justiça cognitiva e social.