As transformações decorrentes da globalização têm alterado significativamente as formas de interação entre as culturas e os modos como indivíduos e grupos constroem e percebem suas identidades. A intensificação dos processos de mundialização cultural tem contribuído para um movimento de desterritorialização das referências culturais, no qual símbolos, valores e representações passam a circular de forma ampliada, produzindo tensões entre memória, cultura e pertencimento. Nesse contexto, torna-se necessário refletir sobre o papel do patrimônio cultural na construção das identidades locais, no reconhecimento da diversidade cultural e na preservação da memória coletiva. Este trabalho propõe discutir as relações entre patrimônio cultural, identidade e globalização, considerando as possibilidades de atuação da educação patrimonial como instrumento de valorização das referências culturais e de fortalecimento dos vínculos entre os sujeitos e os bens culturais de seu grupo social. Parte-se da compreensão de que a educação patrimonial pode contribuir para processos de apropriação do patrimônio cultural e para o reconhecimento da pluralidade de expressões culturais. Dessa forma, busca-se destacar a importância da educação patrimonial na formação de cidadãos conscientes de sua cultura e capazes de compreender e interpretar o mundo à sua volta, reconhecendo o patrimônio cultural como elemento fundamental na construção das identidades.