Introdução: A púrpura trombocitopênica imune (PTI) é uma doença autoimune adquirida caracterizada por trombocitopenia isolada, resultante da destruição de plaquetas mediada por autoanticorpos e produção insuficiente pelas células megacariocíticas. A apresentação clínica varia desde formas assintomáticas até hemorragias graves com risco à vida. O tratamento de primeira linha baseia-se em corticosteroides e imunoglobulina humana intravenosa (IGIV), porém uma parcela dos pacientes apresenta refratariedade a essas terapias. Objetivo: Relatar o caso de um paciente com PTI grave que evoluiu com hemorragia digestiva alta e refratariedade ao tratamento convencional com corticosteroides e imunoglobulina humana. Relato de caso: Paciente masculino, 24 anos, previamente hígido, deu entrada no serviço de emergência com quadro de hematêmese de grande volume, evoluindo com instabilidade hemodinâmica e necessidade de intubação orotraqueal para proteção de via aérea. Os exames admissionais revelaram plaquetopenia grave (34.000/mm³). Foi realizada transfusão de plaquetas, com paradoxal piora da contagem (9.000/mm³). Diante da suspeita de PTI, instituiu-se pulsoterapia com metilprednisolona 1g/dia por 72 horas, sem resposta. Nova pulsoterapia com dexametasona 1g/dia por 72 horas também não evidenciou incremento plaquetário, havendo inclusive deterioração clínica com choque hemorrágico. Administrou-se imunoglobulina humana 1g/kg por 48 horas, igualmente sem resposta. Foi então iniciado eltrombopague 50mg/dia, com elevação da contagem de plaquetas, porém o paciente desenvolveu hepatite medicamentosa, exigindo suspensão temporária e posterior reintrodução em dose reduzida (25mg/dia). Após estabilização, recebeu alta hospitalar com 50.000 plaquetas/mm³, em uso de eltrombopague e prednisona. Discussão: A PTI refratária representa um desafio terapêutico significativo, especialmente quando complicada por hemorragia grave. A ausência de resposta a corticosteroides e imunoglobulina, conforme observada neste caso, ocorre em aproximadamente 10-20% dos pacientes e demanda estratégias terapêuticas alternativas. Os agonistas do receptor de trombopoetina, como o eltrombopague, emergem como opção eficaz, embora eventos adversos como hepatotoxicidade exijam monitorização cuidadosa. Conclusão: O caso ilustra a complexidade do manejo da PTI grave refratária às terapias de primeira linha, destacando a importância de individualização terapêutica e monitorização de efeitos adversos em busca do controle da doença e prevenção de complicações hemorrágicas fatais.