Este artigo investiga as implicações formativas da filosofia da duração em Henri Bergson, articulando-a à teoria da imagem desenvolvida por Gilles Deleuze em seus estudos sobre o cinema. Partindo da crítica à concepção espacializada do tempo que estrutura grande parte das práticas educativas modernas, argumenta-se que a formação deve ser compreendida como modulação qualitativa da experiência na duração. A partir da leitura deleuziana das categorias de imagem-movimento e imagem-tempo, o cinema é analisado como atualização estética da filosofia bergsoniana, capaz de apresentar sensivelmente o tempo em sua espessura própria. Sustenta-se que, quando compreendido para além de sua função ilustrativa, o cinema pode operar como experiência formativa no sentido forte: acontecimento temporal que suspende automatismos perceptivos e insere o sujeito na diferenciação do real. Ao articular filosofia, estética e educação, o artigo propõe uma concepção de formação como criação compartilhada na duração.