O avanço da inteligência artificial generativa no cotidiano escolar tem produzido impactos significativos nas formas de pesquisa, escrita e produção de conhecimento na educação básica. No ensino de História, essa presença suscita desafios epistemológicos e pedagógicos relacionados à análise crítica de narrativas, à identificação de vieses informacionais e à formação da consciência histórica. Este capítulo apresenta e analisa uma experiência pedagógica desenvolvida com estudantes do ensino fundamental II e do ensino médio, em que ferramentas de IA generativa foram utilizadas como recurso didático e, simultaneamente, como objeto de problematização crítica. A proposta envolveu a formulação de perguntas históricas pelos estudantes, a análise coletiva de respostas produzidas por sistemas de IA e a reescrita mediada por referenciais historiográficos. A partir de abordagem qualitativa, discutem-se os percursos metodológicos, os desafios observados e os impactos formativos da experiência. Os resultados indicam que, quando mediada criticamente, a inteligência artificial pode contribuir para o desenvolvimento do pensamento histórico, do letramento digital crítico e da autonomia intelectual, deslocando o estudante da posição de consumidor de respostas para a de sujeito que interpreta, questiona e reconstrói narrativas.