O ensino de língua espanhola no Brasil apresenta potencial estratégico para fortalecer o diálogo cultural e linguístico entre os países da América Latina. Entretanto, abordagens tradicionais centradas na transmissão de conteúdos gramaticais ainda predominam, limitando a compreensão da língua em sua dimensão sociocultural. Nesse contexto, este capítulo tem como objetivo analisar de que maneira a articulação entre práticas pedagógicas interculturais e interdisciplinares no ensino de espanhol pode contribuir para processos de decolonialidade e integração cultural e linguística na América Latina. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter bibliográfico e exploratório, fundamentada em autores que discutem a interculturalidade crítica e a decolonialidade, como Walsh (2012) e Candau (2012), bem como em estudos sobre ensino de línguas e competência intercultural (Byram, 1997; Guilherme, 2002; Kramsch, 1993) e sobre interdisciplinaridade no campo educacional (Fazenda, 2011; Japiassu, 1976). A análise evidencia que a integração entre interculturalidade e interdisciplinaridade amplia o significado do ensino de espanhol, permitindo compreender a língua como espaço de encontro entre culturas, reflexão crítica e valorização de saberes historicamente marginalizados. Conclui-se que tais abordagens contribuem para práticas educativas mais inclusivas, críticas e comprometidas com a integração cultural latino-americana.