Este capítulo analisa o projeto de extensão Guardiões das Sementes, desenvolvido na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, que utiliza o jogo da memória como dispositivo didático na formação docente em Agroecologia. A pesquisa, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, configura-se como estudo envolvendo discentes dos cursos de Licenciatura em Ciências Agrícolas e Licenciatura em Educação do Campo. O jogo foi composto por 32 peças em 16 pares, elaboradas a partir de acervo fotográfico autoral e imagens disponíveis na internet de livre utilização, contemplando sementes crioulas e seus guardiões agricultores familiares, mulheres, indígenas, quilombolas e bancos comunitários de sementes. A produção dos dados ocorreu por meio de observação participante durante a aplicação da atividade. Ancorado na pedagogia freireana, que entende o conhecimento como construção dialógica, o estudo interpreta o jogo como prática de mediação que possibilita a aproximação entre o saber científico e o saber popular.
Os resultados indicam que a ludicidade favoreceu engajamento crítico, identificação afetiva e articulação entre saber agronômico e dimensão sociopolítica da agrobiodiversidade. Conclui-se que o dispositivo contribui para a formação de docentes capazes de integrar ciência, memória e compromisso socioambiental.