Este capítulo argumenta que a compreensão e validação da identidade ‘negra parda’ são cruciais para promover práticas educativas mais inclusivas e equitativas no Brasil. A categoria “pardo”, historicamente produzida pela administração colonial portuguesa, permanece como marca identitária ambígua e politicamente sensível no Brasil contemporâneo. Este capítulo discute a construção histórica dessa classificação, seu papel no projeto de embranquecimento nacional e seus efeitos sobre a construção subjetiva e racial de pessoas pardas que, apesar da violência simbólica sofrida, são racializadas como negras no cotidiano. Dialogando com autoras e autores como Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez, Kabengele Munanga e Frantz Fanon, discute-se como a identidade parda se tornou um campo de disputa entre a colonialidade e a possibilidade de uma negritude plural. O texto evidencia que reconhecer-se como negra parda não é adotar uma identidade “moderna”, mas romper com uma tecnologia histórica de apagamento e controle. O capítulo articula análise histórica, crítica racial e narrativa social, defendendo o direito político e existencial de pessoas pardas de reivindicarem sua negritude como estratégia de sobrevivência, dignidade e reexistência.