Este ensaio teórico examina criticamente se a adoção da agenda ESG (Environmental, Social and Governance) representa uma mudança estrutural nos modelos de gestão empresarial ou se configura apenas como mudança estratégica às pressões regulatórias, mercadológicas e reputacionais. A análise das motivações externas (regulatórias, de mercado e sociais) e internas (culturais, estratégicas e operacionais) evidencia que a profundidade da incorporação do ESG varia conforme a interação desses fatores. Como contribuição central, propõe-se uma matriz analítica de aderência estrutural e estratégica, composta por dimensões como governança, cultura organizacional, transparência, engajamento de stakeholders e impacto real. Essa matriz permite diferenciar práticas empresariais genuinamente transformadoras daquelas restritas a respostas instrumentais, oferecendo parâmetros para a pesquisa acadêmica, para gestores, reguladores e investidores. Conclui-se que o ESG constitui um campo de tensões, no qual transformações estruturais e estratégias adaptativas coexistem, e que a aplicação crítica da matriz proposta possibilita discernir entre discurso simbólico e mudança efetiva.