Este estudo foi motivado pela necessidade de conter o crescimento dos gastos em saúde pública e assegurar o uso eficiente dos recursos disponíveis. O objetivo é mensurar a eficiência relativa na aplicação de recursos financeiros provenientes de transferências públicas e gastos municipais em saúde nos municípios mato-grossenses, correlacionando-os a indicadores de desempenho, de modo a subsidiar diretrizes de boas práticas de gestão no período de 2014 a 2024. A pesquisa, de natureza aplicada, quantitativa e exploratório-explicativa, avaliou a eficiência de 141 municípios entre 2014 e 2023 por meio da metodologia Data Envelopment Analysis (DEA), nos modelos CCR e BCC. Os dados foram tratados anualmente com exclusão de missing values, revelando heterogeneidade significativa: em alguns anos, mais de 70% dos municípios apresentaram ineficiências, associadas a fragilidades gerenciais (ineficiência técnica pura) ou a desajustes de escala (porte inadequado). Apenas um grupo restrito alcançou eficiência plena, servindo como benchmark. A análise evidenciou que a eficiência não depende apenas do volume de recursos, mas também da capacidade de gestão, da governança local e da adequação estrutural às demandas populacionais. Os resultados subsidiam diretrizes voltadas ao fortalecimento da governança, à regionalização da rede, à qualificação de gestores e ao uso de indicadores de desempenho. Além disso, apontam para a incorporação de tecnologias digitais (tele assistência, prontuário eletrônico), ampliação da transparência, controle social e sustentabilidade administrativa. As recomendações apresentadas oferecem um roteiro factível para elevar a eficiência e a equidade no acesso aos serviços de saúde em Mato Grosso e em contextos com desafios semelhantes.