O artigo analisa o empreendedorismo feminino periférico no Brasil como um fenômeno redistributivo, embora ele seja marcado por desigualdades de gênero e raça que limitam seu pleno desenvolvimento. O texto discute como o racismo ambiental atua como um mecanismo estruturante de exclusão, impondo barreiras adicionais à sobrevivência dos negócios liderados principalmente por mulheres negras em territórios vulnerabilizados. A argumentação evidencia que essas empreendedoras enfrentam uma desvalorização simbólica e material, tornando o empreendedorismo uma estratégia de resistência e necessidade básica, e não apenas de oportunidade. O estudo propõe a Educação Ambiental (EA) crítica como urgência social para questionar os modelos hegemônicos de produção, utilizando o podcast como ferramenta estratégica de educomunicação para mediar esse processo. A análise conclui que o uso de podcasts potencializa a formação crítica e a visibilidade dessas mulheres, funcionando como um instrumento de justiça socioambiental que democratiza saberes, denuncia vulnerabilidades e fortalece redes de solidariedade, permitindo que sujeitos historicamente silenciados assumam o protagonismo no desenvolvimento local e na defesa de seus territórios.