A crescente adoção de soluções de inteligência artificial (IA) nas organizações tem intensificado o debate sobre os fatores que condicionam seu uso efetivo. Embora a literatura tradicional privilegie aspectos técnicos e estruturais, observa-se uma lacuna na compreensão dos fatores organizacionais que influenciam a incorporação dessas tecnologias. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo propor um modelo teórico-conceitual que explique a influência da cultura organizacional na adoção de IA em empresas do setor de serviços. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza teórica, fundamentada em revisão integrativa da literatura nas áreas de cultura organizacional, inovação tecnológica e inteligência artificial organizacional. Como resultado, propõe-se um modelo que articula dimensões culturais — orientação à inovação, ao controle e ao aprendizado — a mecanismos organizacionais intermediários, como capacidade absortiva, apoio da alta gestão e processos de experimentação. Conclui-se que a adoção de IA depende não apenas da disponibilidade tecnológica, mas também de condições culturais que favoreçam a aprendizagem, a experimentação e a adaptação organizacional.