Este ensaio teórico discute a transição do compliance tradicional para o compliance digital, analisando seus fundamentos e implicações para a gestão de riscos e conformidade. A contextualização parte da consolidação histórica dos mecanismos de compliance, como códigos de conduta, auditorias internas e canais de denúncia, e da necessidade de compreender sua reconfiguração diante da incorporação da inteligência artificial. A metodologia adotada é de caráter teórico-analítico, baseada em revisão crítica da literatura e na articulação de diferentes perspectivas da governança corporativa. Os resultados evidenciam que a inteligência artificial potencializa a eficiência dos mecanismos de compliance, ao reduzir custos de monitoramento e ampliar a capacidade de prever riscos. Ao mesmo tempo, sua adoção responde a pressões institucionais por legitimidade, transparência e accountability. A análise mostra que o compliance digital não é apenas uma evolução incremental, mas uma transformação paradigmática que integra tecnologia, ética e regulação. A auditoria algorítmica e a governança algorítmica emergem como práticas indispensáveis para assegurar que os sistemas de IA sejam utilizados de forma responsável. Conclui-se que o compliance digital oferece às organizações um modelo mais robusto e adaptativo para enfrentar os desafios contemporâneos da gestão de riscos e conformidade.