As políticas de longo prazo permanecem complexas e devem ser adaptadas no setor público. Dado que a política governamental se torna cada vez mais multifacetada ao longo do tempo, diante de contextos caracterizados por mutações políticas, econômicas e sociais. Em consequência, o uso de abordagens tradicionais de gestão já não é suficiente para manter a longevidade e a capacidade de impacto das ações governamentais. Nesse sentido, procedimentos mais flexíveis e adaptativos são relevantes. Este estudo teve o propósito de averiguar como os métodos ágeis podem contribuir para a continuidade das políticas públicas de longo prazo que perpassam por diferentes governos. A pesquisa foi apoiada por uma revisão sistemática da literatura, combinada a uma abordagem qualitativa, exploratória e executada a partir de tratamento meta-analíticos. Para tanto, bancos de dados eletrônicos como Scielo, Google Scholar, Portal Capes e Anpad foram utilizados, sendo pesquisados através da combinação de palavras-chave relacionadas a métodos ágeis, o setor público e a continuidade das políticas públicas. Durante a coleta inicial, foram listados 134 trabalhos acadêmicos e, após a aplicação de critérios pré-definidos para seleção, a análise final englobou 39 artigos científicos, as quais foram submetidas a leitura e avaliação completa. Os resultados apontaram que uma abordagem ágil pode beneficiar aspectos quanto ao comprometimento da equipe, à comunicação, à transparência, à elaboração do planejamento, à adaptabilidade das estruturas e culturas organizacionais, à redução de custos e à automação de processos. Somando-se, também foram identificados potenciais barreiras que minam a continuidade das políticas públicas, incluindo a rotatividade de liderança, conflitos de interesse, perda de memória institucional, burocracia excessiva e falta de profissionalização na gestão. Conclui-se que essa adoção de práticas ágeis tanto mitiga os impactos dessa descontinuidade administrativa, quanto promove o fortalecimento de políticas públicas orientadas aos interesses do Estado e da sociedade, em vez das prioridades temporariamente implementadas por governos específicos. No entanto, observa-se que a integração dessas metodologias deve ser gradual e adaptável às particularidades da administração pública.