Introdução: A educação infantil no Brasil vivenciou profundas transformações históricas e legais, exigindo reconfiguração do ambiente escolar. Nesse contexto, diretores de instituições que atendem crianças de zero a três anos enfrentam desafios complexos e rotinas singulares que vão muito além das questões burocráticas. Estes profissionais necessitam de múltiplos saberes para exercer uma gestão democrática eficiente, engajar a comunidade e conduzir adequadamente o desenvolvimento pedagógico integrado ao cuidar, o que exige constantes investimentos em seu aprimoramento profissional. Objetivo: O objetivo principal desta pesquisa constituiu-se em analisar o papel da formação continuada do diretor em escolas de zero a três anos, visando o processo de fortalecimento e a consolidação da profissionalização do ensino na etapa da Educação Infantil, tendo como campo empírico o Município de Cabreúva, situado no Estado de São Paulo. Metodologia: A investigação baseou-se em uma abordagem qualitativa, de caráter descritivo e interpretativo. Para a construção dos dados, além da análise de documentos normativos, aplicou-se um questionário estruturado online envolvendo oito profissionais que atuam na direção ou vice-direção do segmento. Com o propósito de aprofundar as concepções reveladas, conduziram-se entrevistas semiestruturadas em profundidade com duas diretoras que apresentam tempo distintos de experiência na carreira gestora municipal. Resultados: Os principais resultados indicaram uma evidente necessidade de ampliação sistemática das discussões frente às reais necessidades formativas e aos desafios diários, respeitando rigorosamente as especificidades da gestão na primeira infância. Constatou-se a urgência do estabelecimento de políticas públicas focadas em uma formação especializada para consolidar a profissionalização. Ademais, os dados coletados destacaram a forte carência de um programa de apoio e acompanhamento continuado direcionado, em especial, ao diretor iniciante. Considerações Finais: Conclui-se que a formação continuada está intrinsecamente ligada ao sucesso da profissionalização e ao pleno fortalecimento da gestão democrática escolar. Fomentar políticas municipais de formação contínua, ancoradas na escuta ativa das vivências dos diretores, torna-se essencial para superar gargalos administrativos e assegurar uma educação infantil humanizada.