O presente trabalho investiga a relação entre as propriedades espectrais do operador Laplaciano de grafos e as características geométricas de domínios discretizados, revisitando o clássico problema do inverso espectral proposto por Mark Kac em 1966: “Can one hear the shape of a drum?. A metodologia consiste na discretização de domínios 2D e 3D por meio da triangulação de Delaunay, seguida pela construção de grafos de adjacência e o cálculo laplaciano normalizado. Foram extraídos vetores de características compostos pelos primeiros 50 autovalores, gaps espectrais e momentos estatísticos de ordem superior. Experimentos foram conduzidos com múltiplos conjuntos de dados, incluindo formas sintéticas quasi-isoespectrais e benchmarks consolidados como ModelNet40, ShapeNet e SHREC’17. Nossos resultados demonstraram que classificadores baseados em Ensemble (Random Forest, Gradient Boosting) e Support Vector Machines (SVM) alcançam acurácias superiores a 90% na distinção de classes topológicas. A análise de componentes principais (PCA) e o escalonamento multidimensional (t-SNE) confirmaram a existência de agrupamentos bem definidos no espaço lateral espectral, sugerindo que o espectro carrega informações estruturais sólidas e discriminativas. Conclui-se que, embora existam domínios isoespectrais não congruentes na teoria contínua, a representação discreta via grafos, combinada com técnicas de aprendizado de máquina, permite “ouvir”a geometria de forma eficaz, oferecendo contribuições para as áreas de visão computacional, física matemática. Este estudo expande a compreensão do problema inverso espectral ao demonstrar que a inteligência artificial pode atuar como “ouvido absoluto” necessário para a decodificação da geometria a partir de frequências vibracionais discretas.