A identificação precoce de dificuldades e transtornos de aprendizagem nas escolas públicas municipais brasileiras enfrenta um obstáculo estrutural: a ausência de instrumentos de avaliação cognitiva acessíveis, ágeis e tecnicamente fundamentados. Este trabalho analisa o potencial da avaliação cognitiva informatizada, com destaque para plataformas de rastreio neuropsicopedagógico baseadas em gamificação, como estratégia para identificação precoce de dificuldades de aprendizagem na educação básica pública. A partir do referencial da neuroeducação e do modelo RTI (Response to Intervention), argumenta-se que a integração entre tecnologia digital, formação docente e intervenção pedagógica especializada representa um caminho concreto para reduzir desigualdades de aprendizagem, especialmente nos municípios de pequeno porte, onde o acesso a profissionais especializados é historicamente limitado. Os benefícios dessa abordagem incluem a redução das taxas de reprovação e evasão, a melhora nos indicadores de alfabetização e o fortalecimento da cultura institucional de avaliação como instrumento de melhoria pedagógica.