Introdução: O Vale do Jequitinhonha se tornou o centro de debates públicos devido à expansão da mineração de lítio (Li). A região tem visto seu vasto território sendo demarcado vertiginosamente para pesquisas minerárias, violando direitos das comunidades quilombolas, indígenas e tradicionais. Objetivo: analisar os impactos sociais, ambientais e econômicos que a mineração de lítio tem causado no Vale do Jequitinhonha. Metodologia: envolveu pesquisa bibliográfica e documental: consulta a artigos científicos, reportagens investigativas e dados técnicos sobre o tema. Resultados: Os impactos se dividem de formas desiguais no espaço, próximo às minas destacam-se a violação do direito à Consulta Prévia, livre e Informada (CPLI) às comunidades atingidas; a degradação dos ecossistemas; a alteração nos modos de vida, como problemas respiratórios constantes, rachaduras nas casas próximas às minas e redução do nível de água do Ribeirão Piauí Poço Dantas que antes da mineração era usufruída pelas comunidades ribeirinhas; a recente redução em 50% da Área de Proteção Ambiental Chapada do Lagoão. No meio urbano, destacam-se os aumentos nos gastos per capita em educação e saúde nos municípios de Araçuaí e Itinga. Constatou-se que houve aumento no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) em alguns setores em Araçuaí e Itinga entre 2020 e 2024. O Valor Adicionado Fiscal no setor de extrativo mineral no município de Araçuaí 2022 apresentou um aumento significativo. Por fim, concluímos que os valores repassados de Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) são insuficientes para resolver os impactos causados pela mineração de lítio, além do mais, a alta sonegação de CFEM no país por parte das mineradoras e a fragilidade da Agência Nacional de Mineração em fiscalizar todos os processos minerários. Considerações Finais: Portanto, diante dos impactos relatados, torna-se imprescindível um olhar atento para o Vale do Jequitinhonha, como forma de minimizar os problemas causados pela mineração predatória.