A ampliação do acesso ao ensino superior público brasileiro possibilitou a inserção de estudantes oriundos de grupos historicamente excluídos dos espaços universitários. Entretanto, o ingresso na universidade não elimina as desigualdades sociais, econômicas e raciais que atravessam suas trajetórias, tornando a permanência estudantil um desafio central para as instituições de ensino superior. Neste contexto, a Assistência Estudantil constitui importante política pública para a promoção da permanência universitária. Este capítulo apresenta reflexões derivadas de uma pesquisa desenvolvida em uma Moradia Estudantil de uma universidade, articulando a experiência da autora como pedagoga, Técnica-administrativa em Educação e pesquisadora. O estudo, fundamentado na Pesquisa Participante, analisou as trajetórias de estudantes residentes e os desafios enfrentados para permanecer na universidade. Os resultados evidenciam que a Moradia Estudantil representa uma condição fundamental para o acesso e a permanência de estudantes. Revelam ainda que as dificuldades vivenciadas ultrapassam as necessidades materiais, envolvendo questões relacionadas à saúde mental, convivência coletiva, racismo, desigualdades de gênero, insegurança alimentar e sentimentos de não pertencimento. Conclui-se que a Assistência Estudantil deve ser compreendida como política de promoção de direitos e que os Técnicos-Administrativos em Educação desempenham papel estratégico na construção de práticas institucionais voltadas ao acolhimento, acompanhamento e fortalecimento das trajetórias acadêmicas.