Este capítulo apresenta e analisa uma experiência de gestão escolar desenvolvida em uma instituição pública de Educação Infantil no estado de São Paulo, que atende crianças de 0 a 3 anos, com o objetivo de promover os Direitos Humanos por meio da participação ativa das famílias. Partindo do diagnóstico de distanciamento entre escola e comunidade, a gestora planejou e executou um conjunto de cinco ações — cineminha escola-família, rodas de conversa e palestras, excursões educativas aos finais de semana, acolhimento com alimentação compartilhada e formulários digitais de avaliação —, sustentadas pelos princípios da gestão democrática e da Educação em Direitos Humanos (EDH). A fundamentação teórica articula a Convenção sobre os Direitos da Criança (ONU, 1989), o Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990), as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (BRASIL, 2009), o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (BRASIL, 2006) e as contribuições de Freire (1996), Lück (2013), Saviani (2003), Candau (2012) e Andrade (2010). Os resultados indicam que a participação familiar planejada fortalece vínculos afetivos, amplia o repertório cultural das crianças e das famílias e produz mudanças verificáveis no projeto pedagógico da escola. O estudo contribui para o campo ao propor o cuidado como categoria analítica da EDH na primeira infância e ao demonstrar que a gestão democrática é, ela mesma, uma prática de direitos humanos.