O artigo examina o discurso presente na Bíblia Satânica, de Anton LaVey, a partir de uma perspectiva foucaultiana, com o objetivo de analisar como o conhecimento é produzido no interior de formações discursivas antirreligiosas. Fundamentado na Análise do Discurso de natureza qualitativa e teórica, o estudo investiga as estratégias pelas quais o texto desafia narrativas religiosas hegemônicas e reconfigura categorias morais. Os resultados indicam que o discurso satanista opera não apenas como forma de oposição, mas como um campo produtivo que constrói seu próprio regime de verdade, centrado na agência do indivíduo, na reflexão crítica e na valorização da experiência. À luz da concepção de Michel Foucault sobre a inseparabilidade entre poder e conhecimento, a análise demonstra que tal discurso simultaneamente contesta e reproduz mecanismos de legitimação, evidenciando o caráter contingente e historicamente situado da verdade. Por fim, o estudo destaca que a produção do conhecimento está intrinsecamente vinculada às práticas discursivas e às relações de poder, reafirmando o papel do discurso como mecanismo central na constituição, circulação e validação do saber.