Clarice Lispector transforma a experiência de leitura em um mergulho nos labirintos da subjetividade, onde o ato de ler se converte em um exercício intenso de reflexão e de encontro com o outro. Este artigo investiga como a linguagem introspectiva e fragmentada da autora pode favorecer o desenvolvimento do pensamento crítico e da empatia em contextos educacionais. A partir de uma análise que articula teorias da educação, estudos literários e pesquisas empíricas recentes, argumenta-se que a prosa clariceana, ao desestabilizar certezas e expor a complexidade da experiência humana, atua como uma poderosa tecnologia pedagógica. Os resultados indicam que a mediação desses textos em sala de aula incentiva a desautomatização do olhar, a formulação de perguntas substantivas e a expansão da capacidade de se colocar no lugar do outro, alinhando-se às competências valorizadas por documentos curriculares como a BNCC.