O avanço das tecnologias digitais e da inteligência artificial tem reconfigurado os modos de produção, circulação e acesso ao conhecimento na educação, especialmente no contexto dos Recursos Educacionais Abertos (REA), frequentemente associados à democratização do ensino. Este estudo tem como objetivo compreender como as práticas relacionadas aos REAs, mediadas por tecnologias digitais e inteligência artificial, tensionam essa promessa, podendo também reproduzir desigualdades educacionais, epistemológicas e pedagógicas. A fundamentação teórica apoia-se em referenciais críticos do campo Ciência, Tecnologia e Sociedade, com destaque para discussões sobre as tecnologias digitais educacionais. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza básica, com abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica e documental, utilizando o protocolo PRISMA 2020, com recorte temporal entre 2019 e 2025 e análise de produções científicas e documentos em bases como CAPES, Scopus e SciELO. Os resultados indicam que, embora os REA ampliem formalmente o acesso ao conhecimento, sua mediação por algoritmos tende a reforçar padronizações, reduzir a autonomia docente e invisibilizar saberes locais. Conclui-se que a efetiva democratização do conhecimento depende de abordagens ético-críticas que considerem as dimensões sociais, pedagógicas e políticas do uso dessas tecnologias.