A ansiedade no período perioperatório constitui um fenómeno frequente e clinicamente relevante, com repercussões físicas, emocionais e relacionais que podem comprometer a experiência cirúrgica e os resultados em saúde. Este capítulo apresenta uma adaptação de um estudo qualitativo, exploratório e descritivo centrado nas estratégias utilizadas pelos enfermeiros para reduzir a ansiedade da pessoa submetida a cirurgia. Integrou oito enfermeiros com experiência perioperatório e recorreu a entrevistas semiestruturadas, posteriormente analisadas segundo a técnica de análise de conteúdo de Bardin. Os resultados evidenciaram três eixos centrais: as manifestações da ansiedade, as intervenções mobilizadas pela enfermagem e os fatores que condicionam a eficácia dessas intervenções. Nas mais referidas destacaram-se sinais fisiológicos, como taquicardia, tremores, sudorese e dor, e respostas emocionais, como agitação, dificuldade de contacto visual e intensificação da perceção dolorosa. As estratégias mais valorizadas foram a comunicação terapêutica, transmissão de informação clara e individualizada, escuta ativa, presença do enfermeiro, reforço positivo e envolvimento da família. Conclui-se que a gestão da ansiedade perioperatória assenta sobretudo na dimensão relacional do cuidado, sendo a comunicação terapêutica a intervenção mais consistente e transversal. A Teoria do Conforto de Kolcaba oferece um enquadramento pertinente para interpretar estes resultados e sustentar práticas de enfermagem centradas na pessoa.