A dieta mediterrânea, rica em flavonoides, está associada à redução do risco de doenças crônicas, enquanto a dieta ocidental não reproduz esses benefícios mesmo quando contém fontes isoladas desses compostos. Este capítulo explora esse paradoxo, propondo que o contexto alimentar, e não a ingestão isolada, determina a eficácia funcional dos flavonoides. Trata-se de uma revisão narrativa crítica, baseada em estudos de digestão in vitro, investigações populacionais (PREDIMED/PREDIMED-Plus), revisões mecanísticas, modelo animal e caracterização fitoquímica. As evidências indicam três mecanismos principais de comprometimento na dieta ocidental: (i) redução da bioacessibilidade devido ao processamento industrial e à matriz empobrecida; (ii) ambiente inflamatório crônico de baixo grau que prejudica a ação moduladora dos flavonoides e (iii) disbiose intestinal que compromete sua biotransformação em metabólitos ativos. Em contraste, no contexto mediterrâneo, os flavonoides exercem efeitos protetores sobre o perfil glicêmico, o HDL-colesterol e a síndrome metabólica. Conclui-se que não há ineficácia absoluta dos flavonoides, mas sim um sequestro dependente do contexto pela dieta ocidental. Recomendações nutricionais devem priorizar padrões alimentares integrais, não suplementação isolada ou enriquecimento de ultraprocessados. A análise contribui para a tese da autora ao demonstrar que o ambiente alimentar é tão importante quanto o nutriente isolado.