A constipação intestinal é caracterizada pela ausência de evacuação por três dias ou mais, associada à dificuldade de eliminação das fezes e a sintomas como dor abdominal, distensão, sensação de evacuação incompleta e esforço evacuatório. Embora o tratamento em indivíduos clinicamente estáveis envolva medidas dietéticas, comportamentais e medicamentosas, essas estratégias nem sempre são aplicáveis a pacientes críticos. Na Unidade de Terapia Intensiva, a constipação é uma complicação frequente, com prevalência entre 51,9% e 75,8%, porém ainda pouco reconhecida e inadequadamente tratada. Essa condição está associada a diversas complicações, como lentificação do trânsito intestinal, distensão abdominal, risco de obstrução e perfuração intestinal, prejuízo na oferta nutricional e aumento do tempo de internação. Fatores como imobilidade, uso de sedativos, opioides e vasopressores, alterações hemodinâmicas, inflamatórias e eletrolíticas contribuem para sua ocorrência, estando relacionada a pior prognóstico.