Este estudo investiga o perfil de ingestão dietética e suas correlações com a imagem corporal, parâmetros antropométricos e marcadores de risco metabólico em 165 adultos vivendo com HIV sob terapia antirretroviral (TARV) em Macaé-RJ. A análise documental e transversal evidenciou desvios nutricionais críticos e vulnerabilidades específicas por sexo à luz da neuronutrição. Enquanto os homens apresentaram balanço energético adequado, porém associado a um consumo acentuadamente hiperlipídico e hiperproteico, as mulheres exibiram restrição severa de calorias e carboidratos, sugerindo prejuízos na homeostase da glicose cerebral e na modulação de neurotransmissores. Na interface neurocomportamental, o construto da imagem corporal correlacionou-se positivamente com a ingestão proteica em ambos os estados nutricionais (eutrofia e excesso de peso), refletindo uma busca deliberada por massa magra para contrapor o estigma da lipodistrofia. Todavia, a associação isolada entre autoimagem e colesterol total observada no grupo eutrófico acende um alerta clínico sobre riscos cardiovasculares silenciosos motivados por padrões estéticos idealizados. Conclui-se que o manejo nutricional ambulatorial de pessoas vivendo com HIV deve transcender a abordagem calórica tradicional, integrando estratégias neurocomportamentais que harmonizem as demandas de percepção corporal aos eixos neurobiológicos, visando reduzir o risco metabólico sistêmico e restaurar a homeostase psicofisiológica.