A transição para a parentalidade constitui uma etapa normativa do ciclo vital familiar, marcada por mudanças profundas nas dimensões identitária, relacional e funcional. Contudo, a sua natureza normativa não elimina a complexidade que lhe é inerente: a sobreposição com transições situacionais pode amplificar as exigências adaptativas familiares, mesmo na ausência de disfunção. Este estudo de caso procura analisar o contributo do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar (EEESF) na promoção de uma transição saudável para a parentalidade, sustentado no Modelo de Calgary de Avaliação e Intervenção Familiar (MCAIF) e na Teoria das Transições, em contexto de Unidade de Saúde Familiar (USF). A avaliação da Família Sorrisos, constituída por um casal jovem e uma filha de seis meses, revelou recursos internos sólidos e um funcionamento familiar adaptativo, a par da ansiedade associada à sobreposição de transições situacionais: regresso ao trabalho de ambos os pais e entrada da criança em creche. A intervenção do EEESF, orientada pelos domínios cognitivo, afetivo e comportamental do MCAIF, privilegiou a validação de competências, a normalização das dificuldades transitórias e a promoção da coparentalidade, com ganhos em autoeficácia parental e bem-estar familiar. Os resultados sugerem que famílias em transições normativas constituem contextos relevantes para intervenção preventiva especializada.