Introdução: O envelhecimento populacional e o aumento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis ampliaram a demanda por cuidados paliativos (CP), evidenciando desafios para sua organização nos sistemas de saúde. Nesse contexto, a Atenção Primária à Saúde (APS) destaca-se como espaço estratégico para coordenar o cuidado, devido à longitudinalidade, ao vínculo territorial e à proximidade com pacientes e famílias. Objetivo: Discutir a inovação na organização dos cuidados paliativos na APS, analisando estratégias organizacionais e modelos de cuidado que favoreçam sua integração às redes de atenção à saúde. Metodologia: Estudo teórico-reflexivo fundamentado na análise crítica da literatura científica nacional e internacional e de documentos normativos relacionados aos cuidados paliativos, à APS e à inovação organizacional em saúde. Resultados e Discussão: Identificaram-se fragilidades relacionadas à formação profissional, à ausência de protocolos assistenciais e à descontinuidade do cuidado decorrente de falhas nos fluxos de referência e contrarreferência. Em contrapartida, destacam-se estratégias inovadoras como identificação precoce de pacientes elegíveis, Planejamento Antecipado de Cuidados, fortalecimento da atuação multiprofissional, integração em rede e educação permanente em saúde. Os achados reforçam a necessidade de superar o modelo hospitalocêntrico e fortalecer a APS como coordenadora do cuidado. Considerações Finais: A efetiva implementação dos CP depende da reorganização dos processos assistenciais, da qualificação profissional, da articulação entre os diferentes níveis de atenção e do fortalecimento das políticas públicas, promovendo cuidado integral, humanizado e centrado na dignidade da pessoa.