O capítulo analisa falhas no reconhecimento de pessoas e no reconhecimento facial automatizado, bem como seus efeitos sobre a imputação penal. O problema investigado consiste em identificar quais fatores podem tornar errônea a identificação de suspeitos e repercutir na atribuição de autoria delitiva. A pesquisa possui abordagem qualitativa, objetivo exploratório e procedimento bibliográfico, organizando a discussão em dois eixos. No primeiro, examinam-se o procedimento de reconhecimento pessoal, a suscetibilidade da memória a distorções e a interferência de estigmas sociais na identificação realizada por testemunhas oculares. No segundo, abordam-se as limitações técnicas dos sistemas automatizados, os falsos positivos e os vieses raciais presentes em bases de dados e algoritmos. Os resultados indicam que ambas as modalidades podem produzir identificações equivocadas quando utilizadas sem cautelas procedimentais e probatórias. Conclui-se que o reconhecimento, humano ou algorítmico, deve ser avaliado criticamente e não pode sustentar isoladamente uma imputação penal.