O capítulo discute a mobilidade ativa como elemento estruturador do espaço urbano e estratégia de qualificação dos espaços públicos, em contraposição ao modelo de urbanização centrado no automóvel, consolidado ao longo do século XX. Esse padrão contribuiu para o espraiamento urbano, a segregação socioespacial e o aumento das distâncias entre funções urbanas, gerando impactos como congestionamentos, poluição e insegurança viária. No Brasil, esses processos foram intensificados pela rápida urbanização a partir da segunda metade do século XX, evidenciando desafios relacionados à organização territorial e à mobilidade urbana. Nesse contexto, destacam-se a Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei nº 12.587/2012), que prioriza modos não motorizados e o transporte coletivo, e o Desenvolvimento Orientado ao Transporte (DOT), que articula uso do solo e mobilidade. Como estudo de caso, analisa-se o entorno do Mercado Municipal Antônio Valente, em Campo Grande/MS, área de relevância econômica e cultural marcada por intensa circulação e conflitos entre modais. A análise evidenciou limitações na infraestrutura para pedestres e baixa qualidade dos espaços públicos. Diante disso, propõem-se diretrizes baseadas no urbanismo tático, na pedestrianização e nas ruas completas, visando promover acessibilidade, segurança e vitalidade urbana, contribuindo para cidades mais inclusivas e sustentáveis, em consonância com o ODS 11.