A contaminação de recursos hídricos por herbicidas, como atrazina (AT) e ácido 2,4-diclorofenoxiacético (2,4-D), tem despertado crescente preocupação ambiental devido à elevada persistência, mobilidade e potencial tóxico desses compostos. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo produzir biochars a partir de resíduos agroindustriais de café e avaliar sua aplicação como adsorventes na remoção desses herbicidas em solução aquosa. Os materiais foram obtidos por pirólise a 600 °C, seguida de ativação química com NaOH, originando as amostras GC e GCA. As caracterizações por FTIR e potencial zeta indicaram alterações superficiais associadas à ativação alcalina, favorecendo a formação de sítios ativos para adsorção. Os ensaios adsortivos demonstraram elevadas eficiências de remoção utilizando 1,0 g de adsorvente, com rápido equilíbrio cinético. Os dados experimentais ajustaram-se predominantemente ao modelo cinético de pseudo-segunda ordem e à isoterma de Freundlich, sugerindo mecanismo de quimiossorção em superfície heterogênea. O processo apresentou maior eficiência a 25 °C e os materiais mantiveram desempenho satisfatório por até três ciclos consecutivos de reutilização. Assim, os biochars produzidos mostraram-se alternativas sustentáveis e promissoras para remoção de herbicidas em meio aquoso.