O modelo convencional de produção de alimentos tem gerado graves impactos ambientais, incluindo emissão de gases de efeito estufa, perda de biodiversidade e degradação do solo. Nesse contexto, os Sistemas Agroflorestais (SAFs) emergem como uma alternativa sustentável, integrando espécies arbóreas, cultivos agrícolas e componentes animais. No entanto, persiste uma lacuna significativa quanto ao monitoramento ambiental contínuo e acessível desses sistemas. Este trabalho teve como objetivo analisar as produções científicas recentes sobre o uso de biomonitoramento em SAFs, com ênfase em bioindicadores e biomonitores, bem como na integração do conhecimento tradicional. Foi realizada uma revisão sistemática da literatura na base Scopus (2021-2026). Os resultados revelaram que, embora existam 7.402 publicações gerais sobre SAFs, apenas 13 documentos abordam a intersecção com bioindicadores, representando menos de 0,2% da produção total. O Brasil destaca-se como o quarto maior produtor de ciência agroflorestal globalmente. Conclui-se que o biomonitoramento participativo e de baixo custo precisa ser urgentemente desenvolvido e validado, de modo a tornar os SAFs não apenas uma alternativa técnica, mas uma prática verdadeiramente sustentável, inclusiva e culturalmente legitimada pelas comunidades que manejam a terra.