O choque séptico é uma condição crítica de alta mortalidade que frequentemente exige a infusão emergencial de agentes vasopressores para a restauração da pressão arterial média. Embora as catecolaminas sejam fundamentais para garantir a perfusão de órgãos vitais, o uso de doses elevadas pode desencadear vasoconstrição periférica extrema e disfunções vasculares graves. O objetivo deste estudo foi avaliar as evidências clínicas relacionadas aos efeitos adversos vasculares periféricos decorrentes do uso de altas doses de vasopressores, com foco em isquemia acral, necrose tecidual e estratégias de manejo cirúrgico e de reabilitação. Realizou-se uma revisão sistemática da literatura baseada no protocolo PRISMA. Os dados analisados apontam que o desenvolvimento de isquemia periférica e gangrena simétrica está intimamente associado a estados prolongados de baixo fluxo, colapso microvascular e falhas nos sistemas anticoagulantes naturais acentuadas por lesões isquêmicas secundárias. Apesar de o desfecho isquêmico culminar rotineiramente em amputações acrais ou de múltiplos membros, abordagens multidisciplinares focadas em desbridamentos seriados, oxigenoterapia hiperbárica e técnicas reconstrutivas complexas como retalhos microcirúrgicos livres e reinervação muscular direcionada mostraram-se eficazes na preservação do comprimento do membro e na recuperação de desfechos funcionais satisfatórios, impactando positivamente a independência e a qualidade de vida dos pacientes sobreviventes.