A síndrome do doente eutireoidiano, clinicamente denominada síndrome da doença não tireoidiana (SDNT) ou síndrome do T3 baixo, constitui uma resposta adaptativa sistêmica comum em pacientes submetidos a estresse fisiológico extremo, como sepse, choque séptico, traumas graves e grandes cirurgias. Caracteriza-se por uma alteração dramática no metabolismo periférico dos hormônios tireoidianos, com destaque para a elevação acentuada dos níveis de T3 reverso (rT3). O objetivo desta revisão sistemática foi avaliar a relação entre os níveis circulantes de rT3 e a gravidade clínica em doenças agudas e críticas, analisando seu papel como marcador prognóstico de mortalidade em ambiente de terapia intensiva. Realizou-se uma revisão sistemática da literatura baseada no protocolo PRISMA nas bases de dados PubMed, Medline e LILACS. Os resultados demonstram que a elevação do rT3 está intimamente associada a escores epidemiológicos de gravidade (APACHE II e SOFA) e correlaciona-se de forma independente a taxas reduzidas de sobrevivência. Fisiopatologicamente, esse fenômeno é mediado pela inibição da enzima deiodinase tipo 1 (D1) e pela ativação ou disfunção da deiodinase tipo 3 (D3) no contexto de estresse oxidativo severo e tempestade de citocinas inflamatórias. Enquanto a autoimunidade tireoidiana e flutuações de anticorpos desempenham papéis relevantes no prognóstico de longo prazo de patologias crônicas ou oncológicas, a regulação enzimática molecular aguda das deiodinases atua como o principal determinante dos desfechos de sobrevida imediata em pacientes críticos. Conclui-se que o rT3 representa um biomarcador prognóstico precoce e robusto na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), viabilizando uma melhor estratificação de risco.