A Doença Inflamatória Intestinal, que inclui a Doença de Crohn e a Colite Ulcerosa, é uma condição crónica imunomediada de crescente prevalência em Portugal e no Brasil, com profundo impacto na qualidade de vida e nos sistemas de saúde. A transição hospital-domicílio constitui o período de maior vulnerabilidade para a falha do autocuidado. Este artigo tem como objetivos caracterizar a magnitude epidemiológica da Doença Inflamatória Intestinal nos dois países, operacionalizar o autocuidado à luz da Teoria de Autocuidado em Doença Crónica, identificar o hiato dos cuidados de transição e apresentar o contributo do enfermeiro especialista e das tecnologias de saúde digital como resposta estruturada. A evidência revisada demonstra que o domínio de gestão de sintomas (avaliado pelo Self-Care of Chronic Illness Inventory) é o elo mais frágil do autocuidado e o mais modificável por intervenção de Enfermagem. Plataformas de telemonitorização baseadas em Patient-Reported Outcome Measures, geridas pelo enfermeiro especialista, têm eficácia documentada por ensaios randomizados controlados. Propõe-se uma agenda de cooperação luso-brasileira para harmonização de referenciais formativos, desenvolvimento de protocolos de transição e investigação colaborativa em populações ibero-americanas.