A COVID-19 tem sido frequentemente associada a alterações quimiossensoriais, como anosmia e ageusia, sintomas que podem persistir mesmo após a fase aguda da infecção. Evidências atuais sugerem que essas disfunções estão relacionadas a processos inflamatórios, danos ao epitélio olfatório, interação do SARS-CoV-2 com os receptores ACE-2 e TMPRSS-2, além de possíveis efeitos neuroinvasivos que afetam as vias olfatórias e gustativas. Nesse contexto, a aromaterapia e o treinamento olfatório têm surgido como abordagens complementares promissoras para a reabilitação sensorial. Este estudo consistiu em uma revisão bibliográfica qualitativa realizada por meio de buscas nas bases SciELO, Google Acadêmico, PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde, incluindo artigos científicos, teses, revisões sistemáticas e metanálises publicados entre 2019 e 2026. A análise concentrou-se em estudos que investigaram o uso de óleos essenciais e do treinamento olfatório em casos de anosmia e ageusia pós-COVID-19. Os achados demonstraram que a exposição repetida a estímulos aromáticos, como rosa, eucalipto, limão e cravo-da-índia, pode promover melhora significativa na percepção olfatória. Os óleos essenciais também apresentam compostos bioativos com propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes, antivirais e neuroprotetoras, que podem contribuir para a recuperação sensorial. Estudos clínicos e revisões sistemáticas indicam melhores resultados em pacientes submetidos a protocolos de treinamento prolongados e contínuos, especialmente quando associados a terapias complementares. Apesar dos resultados promissores, a literatura ainda apresenta limitações metodológicas, incluindo amostras reduzidas e protocolos heterogêneos. Ainda assim, as evidências disponíveis sugerem que o treinamento olfatório associado à aromaterapia representa uma estratégia complementar segura, acessível e potencialmente benéfica para pacientes com disfunções olfatórias e gustativas persistentes após a COVID-19.