Os programas de transferência de renda constituem importantes instrumentos de proteção social e enfrentamento da fome no Brasil, especialmente entre populações em situação de vulnerabilidade social. Este estudo teve como objetivo discutir a relação entre os programas de transferência de renda e a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), analisando suas contribuições na promoção do acesso à alimentação adequada. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa, realizada a partir da análise de artigos científicos, legislações e documentos institucionais relacionados às políticas de transferência de renda e à SAN no contexto brasileiro. A literatura evidencia que programas como o Bolsa Família contribuíram para a redução da pobreza, da fome e da insegurança alimentar, além de favorecer o aumento do consumo de alimentos, a ampliação do acesso aos serviços de saúde e educação e o fortalecimento da proteção social. Entretanto, os estudos também apontam que a garantia de renda, embora essencial, não é suficiente para assegurar, isoladamente, uma alimentação adequada e saudável. Persistem desafios relacionados às desigualdades socioeconômicas, ao acesso desigual aos alimentos, à influência do preço nas escolhas alimentares e ao crescente consumo de alimentos ultraprocessados entre populações de baixa renda. Observa-se que a efetivação da Segurança Alimentar e Nutricional depende não apenas da ampliação do acesso financeiro, mas também da articulação entre políticas públicas de saúde, educação, abastecimento alimentar e promoção da alimentação adequada e saudável. Conclui-se que os programas de transferência de renda representam uma estratégia fundamental para a garantia do direito humano à alimentação adequada, mas seus efeitos são potencializados quando integrados a ações estruturantes capazes de enfrentar os determinantes sociais da fome e da insegurança alimentar.