Introdução: O aborto legal em casos de violência sexual é um direito assegurado pela legislação brasileira, mas sua efetivação ainda enfrenta entraves no cotidiano dos serviços de saúde. A atuação da equipe multiprofissional é fundamental para garantir acolhimento, cuidado integral e respeito à dignidade da vítima. Nesse contexto, compreender como esses profissionais percebem, sentem e praticam o atendimento tornase essencial para identificar gargalos e propor melhorias. Objetivo: Mapear percepções, afetos e práticas técnicas e legais da equipe multiprofissional em relação ao aborto legal por violência sexual, identificando barreiras de acesso e fragilidades na assistência. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada em bases nacionais e internacionais, utilizando descritores relacionados a aborto legal, violência sexual e equipe multiprofissional. Foram incluídos estudos publicados em português, inglês e espanhol, sem restrição temporal, que abordassem práticas, sentimentos e desafios dos profissionais de saúde no contexto do aborto legal. Resultados: Os estudos analisados evidenciam que a equipe multiprofissional apresenta diferentes percepções sobre o tema, variando entre o reconhecimento do aborto legal como direito da vítima e sentimento de insegurança ou resistência ética. Entre as barreiras identificadas estão a falta de capacitação, a insuficiência de serviços habilitados, a influência de valores pessoais e a exigência indevida de documentos ou procedimentos adicionais. Também foi constatada a sobrecarga emocional dos profissionais e a necessidade de protocolos claros para nortear a prática. Conclusão: O olhar, o sentir e o fazer da equipe multiprofissional refletem tensões entre o campo legal, técnico e afetivo. A revisão demonstra que, apesar dos avanços normativos, persistem obstáculos que comprometem o acesso ao aborto legal por violência sexual. Conclui-se que o fortalecimento da formação multiprofissional, a padronização de fluxos assistenciais e o suporte institucional são estratégias fundamentais para assegurar um atendimento humanizado, livre de barreiras e condizente com os direitos das vítimas.