As más oclusões podem comprometer funções orofaciais, além de afetar a estética facial e aspectos psicossociais. Dentre essas alterações, a má oclusão classe III de origem esquelética destaca-se pela sua etiologia multifatorial, envolvendo deficiência maxilar, prognatismo mandibular ou a associação de ambos, além dos desafios relacionados ao diagnóstico precoce e à condução terapêutica interceptativa. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi explorar as abordagens ortopédicas dentofaciais utilizadas na interceptação da má oclusão classe III de origem esquelética, com ênfase nas discrepâncias maxilomandibulares. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, conduzida a partir de buscas nas bases de dados MEDLINE, Scopus e Google Acadêmico, utilizando descritores relacionados à má oclusão classe III e ao tratamento ortopédico precoce. Foram incluídos estudos clínicos, observacionais e revisões publicados entre 2000 e 2026, nos idiomas português, inglês e espanhol. A análise foi organizada conforme o tipo de discrepância esquelética. A literatura revisada evidenciou que a deficiência maxilar e o prognatismo mandibular são as principais bases etiológicas, isoladamente ou em conjunto, sendo ambos influenciados por fatores genéticos, ambientais e funcionais. Essas alterações resultam em perfil facial côncavo, mordida cruzada anterior e desequilíbrio funcional. As abordagens interceptativas incluem principalmente a protração maxilar com máscara facial associada à expansão rápida da maxila, uso de mentoneira e aparelhos funcionais. As evidências indicam taxas de sucesso significativas em tratamentos precoces, especialmente com máscara facial, embora a qualidade metodológica dos estudos varie. Além disso, a efetividade terapêutica está diretamente relacionada à adesão do paciente. Foi possível concluir que a má oclusão classe III de origem esquelética é uma condição complexa que exige diagnóstico preciso e intervenção precoce. As abordagens ortopédicas dentofaciais demonstram eficácia na modificação do crescimento craniofacial, melhorando a relação maxilomandibular.